quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Poeta e Solidão

Carmen Apóstolo

Janelas abertas,
o vento embala as cortinas...
Aqui dentro a quietude é morna:
um gato mia no telhado,
um cão dormita na varanda
e os olhares no horizonte
vão bem mais longe que antes,
bem mais longe!
A cadeira balança,
o dia segue o caminho,
a noite aconselha o travesseiro
cheio de letras, quase versos!...
A música suave ocorre do nada,
tudo está pronto, tudo está mudado!
A noite apagou o último rastro da quietude,
não havendo em meio a tudo,alguém que mude
o destino das palavras loucas
que emergem do silêncio em vozes roucas.
Solidão, saudade,formas das palavras,
Como existiriam poetas sem sofrê- las
se é na escuridão da noite que se vê
o brilho próprio das estrelas ?

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